Sindicato Nacional cobra investigação de práticas antidemocráticas e responsabilização por atos de violência política; governo contabiliza 10 mortes e 47 vítimas no processo eleitoral
O ANDES-SN divulgou, nessa quarta-feira (28), uma nota de repúdio às práticas antidemocráticas do senador Flávio Bolsonaro (PL) e aos episódios de violência política praticados por sua base de apoio durante a reta final e após as eleições presidenciais de 2026. O documento também condena a ida do candidato derrotado aos Estados Unidos, em meio a denúncias de ataques ao processo democrático e à soberania nacional, após a vitória da chapa Lula-Alckmin, eleita para governar o país entre 2027 e 2030.
Na nota, encaminhada às seções sindicais por meio da Circular nº 441/2026, a diretoria do Sindicato Nacional denuncia a escalada de violência promovida por apoiadores do bolsonarismo e critica a postura de Flávio Bolsonaro diante do resultado das urnas. A entidade ressalta que a saída do senador do país, após a derrota eleitoral, ocorre em um contexto de tentativas de deslegitimar o pleito e a vontade popular.
O ANDES-SN também relembra que a violência política e os atentados às instituições públicas de ensino, que marcaram as eleições de 2018, voltaram a ocorrer em 2026. Entre os casos citados estão os assassinatos do mestre de capoeira Moa do Katendê, em Salvador (BA), em 2018, e do engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, em Santos (SP), durante o processo eleitoral deste ano. Segundo a entidade, ambos foram vítimas de crimes cometidos por apoiadores do bolsonarismo.
O documento denuncia ainda episódios de racismo, agressões contra integrantes das comunidades acadêmicas e tentativas de dificultar o acesso de eleitoras e eleitores às urnas no segundo turno, realizado em 25 de outubro. A entidade também critica manifestações de empresários e parlamentares da extrema direita que passaram a defender, nas redes sociais, a demissão de trabalhadoras e trabalhadores que votaram em Luiz Inácio Lula da Silva.
“Nós, do ANDES-SN, repudiamos todas as ações de violência e ataques ao povo brasileiro, como uma ação revanchista do bolsonarismo no país. Solidarizamo-nos com todas as pessoas vítimas de violências durante o processo eleitoral e que ousaram enfrentar o fascismo! Não permitiremos que a sanha fascista comande o país novamente!”, afirma o Sindicato Nacional.
A entidade exige a apuração das denúncias contra Flávio Bolsonaro e a responsabilização de todos os envolvidos em crimes contra a classe trabalhadora e a democracia brasileira. “Quem não deve, não teme! Pela imediata deportação de Flávio Bolsonaro! Fascistas não passarão!”, conclui a nota da Diretoria do Sindicato Nacional.
10 mortes por violência política
No mesmo dia da divulgação da nota do ANDES-SN, o governo federal anunciou medidas para investigar os episódios de violência política registrados durante e após as eleições presidenciais. Um levantamento inicial da Secretaria-Geral da Presidência da República e do Ministério da Justiça e Segurança Pública identificou 45 ocorrências, com 47 vítimas, entre elas 10 pessoas assassinadas, incluindo três indígenas.
De acordo com o governo, os casos se intensificaram após a divulgação do resultado eleitoral e incluem agressões físicas, espancamentos, esfaqueamentos, atropelamentos intencionais, disparos de armas de fogo, abuso de autoridade e violência policial. Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina concentram o maior número de ocorrências.
O Ministério da Justiça também investiga denúncias de crimes eleitorais, racismo, violência política de gênero e disseminação de discursos de ódio nas plataformas digitais.
Diante da gravidade dos episódios, o governo anunciou a articulação de investigações com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal (PF) e os órgãos estaduais de segurança pública. As medidas incluem a identificação e a responsabilização dos autores dos crimes, além da apuração de denúncias envolvendo agentes públicos.
Violência contra povos indígenas
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou, nessa quinta-feira (29), a criação de uma força-tarefa federal para receber e apurar denúncias de violência e intimidação contra comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul. A medida ocorre após a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) identificar mais de 30 denúncias de ataques durante o período eleitoral. A entidade encaminhou uma carta ao presidente Lula cobrando medidas urgentes de proteção às comunidades e avanços na demarcação de terras indígenas.
Entre os casos denunciados estão atropelamentos, ameaças de morte e suspeitas de envenenamento da água consumida pelas comunidades. Em Tacuru (MS), um servidor público municipal foi afastado após a circulação de um áudio com ameaças de contaminação da água distribuída por caminhões-pipa. Na mesma cidade, um incêndio destruiu, nessa quinta-feira (29), uma casa de reza da comunidade Guarani Kaiowá. Há suspeita de intolerância religiosa.
Acesse aqui a Circular nº 441/2026