O ANDES-SN manifesta sua irrestrita solidariedade às(aos) servidoras(es) técnica(o)-administrativas(os) e às(aos) estudantes da Universidade de São Paulo (USP), que constroem, de forma legítima e unificada, a greve e a paralisação iniciadas no dia 14 abril de 2026. Mais de 30 unidades realizaram reuniões indicando greve das(os) servidoras(es) técnica(o)-administrativas(os), totalizando mais de 1.100 trabalhadoras(es) reunidas(os). O movimento estudantil contabilizava, até o dia 13 de abril, a adesão à paralisação de mais de 70 cursos de graduação, incluindo os campi do interior paulista.
A greve das(os) trabalhadoras(es) técnica(o)-administrativas(os) expressa a profunda insatisfação com a quebra da isonomia na universidade, agravada pela aprovação, em 31 de março, pelo Conselho Universitário da USP, da Gratificação por Atividades Estratégicas Complementares (GACE). Fixada em R$ 4.500 mensais, a medida beneficia exclusivamente docentes em Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP), podendo alcançar até 82% das(os) docentes em RDIDP, ao mesmo tempo em que exclui docentes em Regime de Trabalho Parcial (RTP) e em Regime de Trabalho Completo (RTC), aposentadas(os) e, sobretudo, não se estende às demais categorias.
A aprovação da GACE, em meio às negociações da data-base no âmbito da pauta unificada do Fórum das Seis, explicita uma política que aprofunda desigualdades e fragmenta a comunidade universitária. Diante desse cenário, as(os) trabalhadoras(es) reivindicam a recomposição da isonomia, com compensação salarial equivalente, além da reposição das perdas acumuladas nos últimos anos, reafirmando a necessidade de valorização de todos os segmentos que sustentam a universidade pública.
Ao mesmo tempo, a paralisação estudantil se soma a esse processo de luta, denunciando medidas que restringem a autonomia das entidades estudantis e reivindicando melhores condições de permanência, incluindo a melhoria da qualidade dos restaurantes universitários e a defesa dos espaços de organização discente.
A unidade entre servidoras(es) técnica(o)-administrativas(os), estudantes e demais setores da comunidade universitária reafirma uma tradição histórica de luta na USP em defesa da universidade pública, gratuita, democrática e socialmente referenciada. Trata-se de uma resposta coletiva a políticas que aprofundam as desigualdades internas, fragilizam os direitos e comprometem a função social da universidade.
O ANDES-SN reafirma que a valorização de uma universidade pública de qualidade passa necessariamente pelo respeito a todos os seus segmentos, com condições dignas de trabalho e estudo, autonomia universitária e participação democrática nas decisões institucionais.
Neste sentido, expressamos nosso apoio às mobilizações em curso e nos somamos à defesa da isonomia entre as categorias, da recomposição salarial, da autonomia estudantil e das condições adequadas de permanência e de trabalho na universidade.
Reiteramos que somente a organização coletiva e a luta unificada entre todas as categorias da USP serão capazes de enfrentar os retrocessos e de garantir uma universidade pública comprometida com os interesses da classe trabalhadora.
Toda solidariedade à greve das(os) trabalhadoras(es) e à paralisação das(os) estudantes na USP!
Brasília, 14 de abril de 2026.
Diretoria do ANDES-Sindicato Nacional