Um recente episódio de agressão, ocorrido na última terça-feira (5), no campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), reacendeu o debate sobre os ataques à liberdade de manifestação e à autonomia universitária.
O vereador conhecido como coronel Rosses (PL) entrou nas dependências do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) da Ufam, acompanhado de seguranças e influenciadores digitais, para retirar cartazes de manifestações estudantis, provocando confronto com estudantes e com o professor de História, Luiz Antonio Nascimento de Souza. O ANDES-SN divulgou uma nota em solidariedade à comunidade da Ufam.

Diante da situação, a Associação dos Docentes da Ufam (Adua-Seção Sindical do ANDES-SN) publicou uma nota repudiando o episódio, classificado pela entidade como uma ação intimidatória, de invasão do espaço universitário e atentatória ao direito constitucional de expressão política.
A seção sindical alertou ainda que ações semelhantes já haviam ocorrido na semana anterior, no mesmo instituto, quando grupos de extrema direita atacaram Centros Acadêmicos e utilizaram as redes sociais para divulgar o ocorrido. Para a Adua SSind., os episódios exigem medidas legais, institucionais e preventivas por parte da administração superior da universidade.
Na manhã de quinta-feira (7), docentes da Ufam realizaram uma reunião para discutir os ataques e construir estratégias coletivas de enfrentamento. Entre os pontos debatidos estavam a necessidade de fortalecer mecanismos de proteção à comunidade acadêmica, ampliar a articulação política dentro da universidade e organizar mobilizações públicas em defesa da instituição.

“Nós temos que nos organizar porque, nesse ano eleitoral, a tendência é a situação piorar. O professor Luiz Antonio estava sozinho naquele dia fazendo o enfrentamento. Se acontecerem novos casos, podemos acionar a todos, por exemplo. Essa reunião é justamente para trocar ideias e pensar estratégias”, afirmou Marcelo Vallina, professor da universidade, e 1º vice-presidente da Regional Norte 1 do ANDES-SN.
Como encaminhamento, as e os docentes aprovaram adesão à mobilização “Reunião Aberta em Defesa da UFAM e Construção de Estratégias Coletivas”, convocada pelo Campo Popular do Movimento Social do Amazonas para a próxima segunda-feira (11), às 13h, no IFCHS.
Também foi definida a realização de uma reunião ampliada, após o ato, com docentes da Ufam, movimentos sociais, estudantis e populares, partidos políticos, sindicatos e demais organizações. O encontro contará ainda com a participação do Fórum Unidade na Luta do Amazonas, composto por diversas entidades, entre elas a Adua SSind.
“Não é a primeira vez que um grupo de extrema direita entra na Ufam. Sabemos que isso é uma estratégia inclusive para projeção de candidaturas. E não apenas na Ufam. Outro dia ocorreu na UEA e em outras universidades. Nós temos que criar uma cadeia dos movimentos sindicais e sociais, e de partidos políticos de esquerda, para pensar uma unidade na luta, porque esse não é um problema só nosso, é de toda a sociedade”, destacou Jacob Paiva, professor da universidade e 3º secretário do ANDES-SN.
Entre os encaminhamentos aprovados está ainda a articulação com a comunidade acadêmica da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) na defesa das universidades públicas e no enfrentamento aos ataques da extrema direita. No dia 4 de maio, estudantes da Escola Superior de Artes e Turismo (ESAT/UEA) realizaram um ato público, após ataques sofridos nas redes sociais em razão de um vídeo com discentes realizando uma atividade artística na área externa da faculdade.
As e os docentes da Ufam também decidiram protocolar um documento formal sobre os episódios na Comissão de Ética da Câmara Municipal de Manaus. A reunião docente contou ainda com a participação de representantes de entidades sindicais e de partidos políticos do campo da esquerda.
Com informações e imagens da Adua SSind.