Invasão militar dos EUA à Venezuela viola soberania e aprofunda instabilidade na América Latina

Publicado em 05 de Janeiro de 2026 às 12h54. Atualizado em 06 de Janeiro de 2026 às 08h49

A operação militar conduzida pelos Estados Unidos em território venezuelano provocou uma grave crise política e diplomática, após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e da primeira-dama, Cilia Flores, na madrugada de sábado (3). A ação ocorreu em Caracas, marcada por explosões, colunas de fumaça e o sobrevoo de aeronaves na capital. 

O número contabilizado de mortos durante os ataques chegou a 80 pessoas, segundo apuração do jornal The New York Times. Diversas áreas sofreram interrupção no fornecimento de energia elétrica logo após o início dos bombardeios.

Crédito: Fotos Públicas

De acordo com autoridades dos Estados Unidos, Maduro foi retirado à força do país e levado para Nova York, onde deve responder a acusações de suposta ligação com o tráfico internacional de drogas.

Segundo comunicado do Tribunal Distrital Federal de Manhattan, ele deve comparecer nesta segunda-feira (5), às 14h (horário de Brasília), diante do juiz Alvin K. Hellerstein, na primeira audiência em que será formalmente apresentado à Justiça dos EUA. A esposa, Cilia Flores, também capturada durante a operação, deve acompanhar o presidente na audiência.

Após os ataques, o ANDES-SN se manifestou em suas redes sociais contra a ação que viola a soberania venezuelana, ofende a dignidade de toda a América Latina e rasga os princípios mais básicos do direito internacional.

“A ofensiva militar estadunidense, com o objetivo de se apoderar das reservas de petróleo venezuelanas, representa um verdadeiro ato de guerra. Somado ao sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Adela Flores, noticiado pela própria Casa Branca, o evento exige a mais contundente reação internacional.”

Governo venezuelano denuncia sequestro
A vice-presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou o que classificou como “sequestro” do presidente e da primeira-dama. Poucas horas após a retirada de Maduro do poder, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela anunciou que Rodríguez assumiria o cargo de presidenta interina, com o objetivo de “garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”.

Crédito: @Miraflores/Fotos Públicas

A decisão foi respaldada pelas Forças Armadas venezuelanas, que reconheceram Delcy Rodríguez como chefe interina do Executivo. Em pronunciamento em rede nacional, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, afirmou que a permanência da dirigente no cargo está prevista por 90 dias.

EUA estão “no comando”
Já o presidente dos Estados Unidos declarou nesse domingo (4) que o país está “no comando” da Venezuela após a captura de Maduro, ao mesmo tempo em que afirmou manter diálogo com a nova liderança interina em Caracas. A declaração intensificou as críticas internacionais à operação, vista por diversos governos como uma intervenção direta em um país soberano da América Latina.

Setores críticos à ação apontam que a ofensiva de Trump configura violação do direito internacional e também das normas domésticas dos próprios Estados Unidos, uma vez que não houve aprovação prévia do Congresso dos EUA para a incursão militar, nem mandado judicial específico autorizando a captura do presidente venezuelano em território estrangeiro.

Além disso, analistas e autoridades regionais alertam para declarações de membros do governo dos EUA que sugerem interesse estratégico nas reservas de petróleo da Venezuela, consideradas as maiores do mundo (17,5%), o que amplia as preocupações sobre os reais objetivos da operação.

Em resposta à ação militar, manifestações contra a invasão dos EUA estão programadas para esta segunda-feira (5) em várias capitais brasileiras, incluindo São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS).

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) reúne-se nesta segunda-feira (5), por volta das 12h (horário de Brasília), para discutir a legalidade da captura do presidente venezuelano e os desdobramentos da ação militar.

Reação internacional
Diante da gravidade dos ataques, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) reúne-se nesta segunda-feira (5), por volta das 12h (horário de Brasília), para discutir a legalidade da captura do presidente venezuelano e os desdobramentos da ação militar.

Paralelamente às discussões no âmbito das Nações Unidas, governos da América Latina e da Europa também se manifestaram. Em comunicado conjunto, divulgado no domingo (4), os governos do Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha expressaram profunda preocupação e rechaço às ações militares executadas unilateralmente no território da Venezuela.

O texto reafirma os princípios da Carta das Nações Unidas, destacando a proibição do uso da força, o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados.

O documento também ressalta que a crise venezuelana deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, por meio do diálogo e da negociação, sem ingerência externa, além de reafirmar o compromisso da América Latina e do Caribe como zona de paz.

Os governos ainda manifestaram preocupação com qualquer tentativa de controle ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, o que consideram incompatível com o direito internacional e uma ameaça à estabilidade regional.

Segundo Cláudio Mendonça, presidente do ANDES-SN, o sindicato se soma às diversas entidades, movimentos sociais e sindicatos que, nos âmbitos nacional e internacional, denunciam a agressão imperialista estadunidense.

“Por meio do governo de extrema direita trumpista, os Estados Unidos tentam se apossar das riquezas naturais da Venezuela e, ao mesmo tempo, reconfigurar a América Latina para atender aos interesses das grandes corporações capitalistas norte-americanas”, denunciou. 

Para o presidente do Sindicato Nacional, é necessária a mais ampla unidade internacional para enfrentar “a máquina de guerra e morte que, por meio de bombas e invasões, barbariza vidas na Palestina, na Síria, na Nigéria, Somália, no Irã, no Iraque, no Iêmen e, agora, na Venezuela. As ações configuram um nítido processo de tentativa de apropriação das riquezas amazônicas. Hoje é a Venezuela, amanhã pode ser a Colômbia e o Brasil”, alertou.

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